Sinto falta da proteção que eu tinha quando era criança. Todos, a minha volta, guiavam o meu caminho e sempre estavam ao meu lado evitando um tombo e cuidando para que eu não me machucasse. Depois que a gente cresce toda essa proteção some, toda a preocupação que todos tinham, vai embora, desaparece e você fica à mercê das coisas ruins, dos tombos que a vida lhe dá. Não tem mais ninguém para me ajudar a levantar depois de um tombo, além de uns poucos amigos que nada podem fazer além de dizer algumas palavras confortantes. Ninguém mais te vigia a todo tempo, nem cuida dos teus ferimentos. A vida passa a exigir mais de você e a te machucar mais também e chega uma hora que você percebe que está sozinho e que mesmo que os outros queiram, eles não podem te ajudar a seguir em frente. É nessas horas que a gente sente falta das brincadeiras de criança, dos tombos e das manhas que fazíamos para conseguir alguma coisa. Quando a gente cresce percebe que chorar não adianta mais, que espernear, gritar e bater o pé, não fará com que as coisas mudem ou com que os dias fiquem mais fáceis e simples.