Depois que ela foi embora, aconteceu um fenômeno engraçado. A cidade, São Paulo, encolheu.
O bar em que eu te conheci, aquele do bolinho de arroz e do chope cremoso, pois é, faliu. Acho que saiu de moda, que virou um estacionamento ou, simplesmente, fechou um círculo – assim como você disse sobre o nosso amor.
Sabe aquele cinema em que a gente assistiu um filme do Ricardo Darín? Sim, aquele filme que te fez chorar por 30 minutos e me abraçar forte e repetir que me amava, me amava e me amava... Então, agora, esse cinema, só passa filme de porrada, banho de sangue e guerras espaciais. Ninguém mais chora por lá.
O bar em que eu te conheci, aquele do bolinho de arroz e do chope cremoso, pois é, faliu. Acho que saiu de moda, que virou um estacionamento ou, simplesmente, fechou um círculo – assim como você disse sobre o nosso amor.
Sabe aquele cinema em que a gente assistiu um filme do Ricardo Darín? Sim, aquele filme que te fez chorar por 30 minutos e me abraçar forte e repetir que me amava, me amava e me amava... Então, agora, esse cinema, só passa filme de porrada, banho de sangue e guerras espaciais. Ninguém mais chora por lá.
Outra coisa, veja só, lembra do restaurante em que a gente comeu aquele filé com molho mostarda e pediu um mousse de maracujá de sobremesa? O restaurante em que eu disse que já era hora de você se mudar pra minha casa. Sim, esse mesmo! Acredita, virou um rodízio de pizza. Nunca fui. Mas dizem que o queijo é borrachudo.
Tem mais, sim, tem mais, amor (desculpa, é a força do hábito). Sabe aquele parque em que a gente costumava ir aos domingos? Foi nesse parque que você caiu da bicicleta e ralou o joelho, não foi? Lembra como eu te peguei no colo e te levei até o carro? Você me olhava de um jeito tão intenso que quase me fez desmaiar. Foi meu dia de super-herói – e você disse que nunca conseguiria viver longe de mim. Então, esse parque não abre mais. Parece que as árvores secaram, os peixes do lago morreram de alguma doença misteriosa e os balanços enferrujaram.
Um detalhe, sabe aquele dia que a gente correu para o hospital? Você engasgada com uma espinha de peixe, sem conseguir respirar e tal. Lembro que, no táxi, você segurava na minha mão e, mesmo nervosa com a espinha, brincou dizendo que um dia a gente faria esse mesmo trajeto – só que para uma maternidade. Então, menina, esse hospital não existe mais, explodiram com ele. Um vírus transformou os doentes em zumbis e a coisa ficou feia. Se algum doente infectado saísse do lugar, o mundo inteiro seria dominado por zumbis. Juro!
Preciso te contar que minha casa também não é mais a mesma. Na minha cama nasceram uns pregos, coisa estranha mesmo. Minha TV só pega um canal, um canal onde uma mulher loira fica querendo me vender um conjunto de facas de cozinha. Poxa, justo pra mim que não sei cozinhar. Meu chuveiro queimou, a água é gelada e escura; minha geladeira emperrou, não consigo mais conservar aquela lasanha congelada que eu tanto comia antes de você aparecer na minha vida.
Sei lá, tá tudo muito estranho sem você.