Lembre-se sempre, na vida real, os contos de fada não precisam estar no plural. O final pode ser feliz, mesmo com você sozinha comendo brigadeiro e assistindo filme da sessão da tarde. A felicidade é relativa e totalmente singular.
24 de set. de 2014
23 de set. de 2014
Você me fez feliz, só não conseguiu me segurar. Eu escapei entre seus dedos e defeitos. Não se sinta mal, você não é o primeiro, nem provavelmente será o último. A culpa não é sua, nós só nos encontramos em épocas erradas. Você queria a liberdade da juventude eu a prisão dos pensamentos. Nos afastamos sem perceber, e você sabe, quando a única coisa que une duas pessoas é o passado, não existe futuro.
Mentira
Mas se eu fosse colocar no papel, de verdade, tudo mais o que você levou, talvez você tenha levado uma parte da minha vida quando bateu a porta também. E sabe qual foi a primeira coisa que eu fiz antes de arrumar a bagunça que você deixou? Eu corri para o espelho para me dizer que estava tudo bem.
Tudo bem. Era só a milionésima quarta vez que eu contava essa mentira. Ou mais até. Depois da décima, perdi a conta. A mentira perdeu a força também. Dizem que, quando contada muitas vezes, uma mentira se torna verdade. Mas como mentir na cara dura para o seu próprio reflexo quando aquele olhar zombador te diz: “na boa, garota, chora aí que ninguém tá vendo”?
E fiquei lá, sentada na minha cadeira de balanço imaginária, repetindo como um mantra: tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem. E eu fui repetindo isso em cada esquina da minha vida. Fui empurrando com a barriga todas as minhas dores, numa pressa doentia de ser feliz logo. Porque quem quer ser feliz logo não pode dar tempo para a tristeza. Porque quem quer ser feliz logo não para e chora suas dores. E quem quer ser feliz logo não fica com vontade de desistir de tudo só porque o namoradinho, depois de cinco anos, bateu a porta e disse que nunca mais ia voltar. Nem quando a melhor amiga conta todos os seus segredos para as pessoas que mais te odeiam. Nem quando seus pais param de falar com você porque você não seguiu a carreira que eles queriam. Quem quer ser feliz logo não chora por isso. Não é?
Só que, hoje, eu resolvi contar a verdade só um pouco. Para mim mesma, nem precisei espalhar para o resto do mundo. Porque não, muita coisa não ficou bem. Os gritos que eu ouvi (e fingi que não) continuam ecoando em meus ouvidos. As decepções que engoli em seco e nunca joguei na cara de ninguém ficaram perdidas em vinganças que eu nunca dei – mas sempre quis dar. Nada bem. Ficou tudo aqui, marcado, silenciado, escondido, para o dia que eu resolvesse ser sincera com o meu próprio coração. E entre nós dois, amigo, a gente sabe: tem mais dores do que a gente pode aguentar. Então, hoje, falemos a verdade: não, não tá tudo bem. Quem sabe assim comece a passar.
KARINE ROSA
22 de set. de 2014
-quesacotudoisso
Hoje pensei em um texto que li e dei toda a razão a ele, dizia que não conhecemos as pessoas realmente quando elas entram em nossas vidas pois entram com um sorriso falso no canto da boca, fingem ser o que não são, falam coisas fofas para impressionar e conseguem nos fazer criar belos e encantados pensamentos sobre elas. Na verdade conhecemos as pessoas quando elas estão saindo de nossas vidas, os gritos, as portas batendo, as palavras feias, o tratamento, a educação e os valores daquela pessoa que no inicio não demonstrou sequer um pouco disso para você logo de cara poder ter saído dessa situação.
20 de set. de 2014
Se para crescer a gente não precisasse errar, talvez eu nunca tivesse acreditado naquela amiga que jurou que não ia me magoar e magoou. Talvez eu não tivesse magoado gente que amava muito, mesmo quando essa não era a intenção. Mas provavelmente, também, eu não teria aprendido a valorizar quem fica, não teria entendido a importância de perdoar as falhas das pessoas e de pensar mil vezes antes de falar algo que pode atingir o outro.
Se para crescer não precisasse doer, talvez eu nunca tivesse conhecido aquele carinha que me tratou como uma qualquer. Talvez nunca tivesse virado noites inteiras chorando amores não correspondidos. Nem feridas que fizeram sem o menor cuidado no meu peito. Mas eu também não teria, finalmente, parado de dar atenção para os mesmos tipinhos de caras errados e começado a prestar atenção naqueles que sempre estiveram aqui para me dar a mão.
Se para amadurecer a gente não precisasse quebrar a cara, talvez eu ainda fosse a menina escandalosa que adorava uma boa briga e que gostava de bater de frente apenas pelo prazer de ganhar – sabe-se lá o quê. Se eu não tivesse caído, se não tivesse levado rasteiras, se não tivesse dado de cara no chão, talvez eu ainda vivesse na minha bolha da adolescência, quando achava que os meus problemas eram os maiores do mundo. E que o mundo, esse malvado, era injusto só comigo.
Se eu tivesse acertado sempre, talvez eu não soubesse da alegria que é a oportunidade de poder se reinventar. Aprender mais. Mudar de opinião, entender os valores das outras pessoas, conhecer outras realidades, perceber que se dói em mim, dói no outro também. Talvez eu nunca tivesse ido, voltado, começado e recomeçado. Talvez eu não tivesse baixado a bola, diminuído o tom, começado a silenciar. Talvez eu nunca tivesse aprendido. Talvez, até, sequer tivesse crescido.
Se para crescer não precisasse doer, talvez eu nunca tivesse conhecido aquele carinha que me tratou como uma qualquer. Talvez nunca tivesse virado noites inteiras chorando amores não correspondidos. Nem feridas que fizeram sem o menor cuidado no meu peito. Mas eu também não teria, finalmente, parado de dar atenção para os mesmos tipinhos de caras errados e começado a prestar atenção naqueles que sempre estiveram aqui para me dar a mão.
Se para amadurecer a gente não precisasse quebrar a cara, talvez eu ainda fosse a menina escandalosa que adorava uma boa briga e que gostava de bater de frente apenas pelo prazer de ganhar – sabe-se lá o quê. Se eu não tivesse caído, se não tivesse levado rasteiras, se não tivesse dado de cara no chão, talvez eu ainda vivesse na minha bolha da adolescência, quando achava que os meus problemas eram os maiores do mundo. E que o mundo, esse malvado, era injusto só comigo.
Se eu tivesse acertado sempre, talvez eu não soubesse da alegria que é a oportunidade de poder se reinventar. Aprender mais. Mudar de opinião, entender os valores das outras pessoas, conhecer outras realidades, perceber que se dói em mim, dói no outro também. Talvez eu nunca tivesse ido, voltado, começado e recomeçado. Talvez eu não tivesse baixado a bola, diminuído o tom, começado a silenciar. Talvez eu nunca tivesse aprendido. Talvez, até, sequer tivesse crescido.
-KARINE ROSA
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