19 de nov. de 2010

Por muitas vezes me senti invisível, sem muita conversa e com poucos amigos. Não no sentido verdadeiro da frase, porque os poucos amigos que tenho sempre foram presentes, mas é que quando se está invisível – por opção ou não – a nossa própria visão desaparece. E se a gente não vê, quem é que vai ver por nós? Eu sei que me surpreendo observando a conversa alheia, o olhar alheio e até mesmo a serenidade alheia. Como existe gente segura, gente que não pede atenção quando quer falar. Acho bonito isso. Quando esse poder é usado de forma inteligente é bonito. Do contrário, vejo a pessoa como um pavão descontrolado em busca de atenção.
Eu sou do outro grupo, o grupo que pede atenção, que mesmo quando aumenta o tom da voz ainda treme e gagueja. Definitivamente não sou alma gêmea da Xuxa e nem do Silvio Santos, realmente eu falo muito menos que o Galvão Bueno eu não tenho o mesmo brilho que a Vera Verão. Eu me vejo em silêncio quando todos estão falando. Acho que é exatamente nessa hora que eu tiro todo o meu lado anti-social da bolsa. Sim, aquele que eu sempre escondi com chaves e cadeado, aquele que vive sempre por baixo do meu sorriso. Sempre achei feio esse lado anti-social. Eu achava que eu sempre deveria estar disposta a ouvir, a conversar, deveria sempre sorrir e concordar. Eu achava tão errado.
Por muito tempo eu tive medo de ficar sozinha. Quem nunca teve ? Hoje sinto mais medo de ter que conversar sobre o tempo apenas para não me acostumar com o silêncio. Alguém me ensinou que quando estamos com uma pessoa realmente amiga, alguém que nos compreende até pelo avesso, o silêncio não é constrangedor. A falta de sons, ruídos ou qualquer barulhinho que seja, nos faz refletir sobre o que já foi dito. Mesmo que a última manifestação tenha sido uma gargalhada ou um pequeno suspiro.